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Depois de ler a crônica do Arnaldo Jabor sobre o Amor “…O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar…” eu comecei a reavaliar os meus conceitos sobre o amor e as experiências (boas ou não) que já tive.

    “Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.”

 Houve um tempo em que eu achava que esse tormento provocado pelo amor era como as coisas deveriam ser, que era assim mesmo e acabou, que nada mais poderia ser feito nem remediado e que qualquer coisa fora desse furacão de sentimentos não me faria feliz.
Aí eu aprendi que eu deveria ME fazer feliz pelos meus motivos e não esperar que o outro me motivasse. Esperar coisas dos outros é a pior coisa que existe.
Eu achava que o amor era algo que me deixava tão cega a ponto de estar com os pés no chão e não conseguir senti-los. Eu achava que toda tentativa de me tornar alguém melhor para aquele alguém não era suficiente para expresar o que eu sentia por ele. Nada era bom o bastante e ninguém era tão foda quanto ele el vários aspectos.
Então “a paz que o outro lhe dá” se tornou o caminho mais certo a seguir em busca do meu ideal de amor e tudo mais que essa palavrinha significa.
O significado que o amor tinha antes desse alguém e depois desse alguém é completamente diferente pra mim.
Eu nunca encontrei alguém tão inteligente e sagaz a ponto de se tornar irritante esnobe. Por saber que é inteligente mesmo e dono de uma mente criativa e esnobe a ponto de se achar mais do que os outros.
Eu nunca encontrei alguém tão fascinante e viciante a ponto de fazer com que eu mudasse minhas atitudes em relação a vida, trabalho e relacionamentos. Eu jamais conseguiria agir como ele pensava pois eu detestava ter que barganhar pra conseguir as coisas. Eu odiava induzir qualquer pessoa ao erro ou ao acerto apenas ao meu favor.
Eu nunca mais fiquei hipinotizada com o cheiro de um perfume como a presa que fica paralisada com o olhar hipinótico da serpente, um encantador de flautas seguindo o movimento da naja ou uma princesa de contos de fadas (na verdade, “enfeitiçadas” são as princesas, não os príncipes!).
É difícil de explicar os casos que não tiveram um ‘The End’, um ponto final, um “se eu sair agora você nunca mais vai me ver”, aquela mesma parte do filme que fica se repetindo, repetindo, repetindo na sua cabeça e que você não sabe como termina.
Seguir em frente é uma questão de escolha. De uma coisa eu tenho certeza: voltar no tempo e continuar de onde paramos é muito difícil. As cores e os sabores mudaram, mas aquele fogo nos olhares que se cruzam e o frio na barriga, é o mesmo.
E eu nunca tive a oportunidade de dizer que esse alguém ficou gravado em minha memória como tatuagem, uma cicatriz que não fecha mas que também não dói a ponto de mais uma vez me fazer perder o juízo. Essa cicatriz não dói mais pois eu não sei aonde foi parar esse alguém que marcou tanto a minha vida. E é melhor mesmo que nem saiba; certos assuntos é melhor que fiquem lá no fundo da gaveta, junto com todas aquelas lembranças que me fazem tremer a carne (no mal sentido).

    “Eu amei alguém e esse alguém não ama ninguém…”

Afinal, para quê servem as lembranças mesmo?
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